# Introduction

The initiative to prepare this manual is to guarantee educators and students a broad and detailed understanding of what Sumé and Sumé LMS are and how they can assist in the development and implementation of virtual classes. Both initiatives emerged during the Covid-19 pandemic, motivated by the visible difficulty encountered by educators in adapting face-to-face classes to virtual classes.

Throughout the manual, you will not find solutions to the problems of education, as we do not have this intention. The content we provide aims to help and assist educators to transport the same teaching from the physical classroom to the virtual classroom, trying, in all aspects, not to lose the quality necessary for the transmission of knowledge.

Precisely for this reason, you will notice that our focus on this material is to indicate solutions that help to solve problems and overcome obstacles of everyday life. We will not discuss the types of pedagogical approaches, whether there is a more correct line of thought or not. Our goal is to facilitate learning, regardless of these issues. We want educators to be able to reach their students and for them to be able to follow lessons and learn.

We try to gather in the manual the greatest number of technical and practical orientations aiming to reach the most varied types of educators, regardless of the degree of affinity with the new technologies. Our purpose is that as many educators as possible can take advantage of the information available here, no matter if they only have one cell phone, or if they have an almost professional camera and lighting.

It is also important to make it clear that this manual is not a definitive and closed material. Our intention is for it to be a work under construction, to be developed in a collaborative way both by educators who have the ability to contribute to the subject and by other people who are interested in the quality of education. All new information and suggestions are welcome! Sumé is an innovative project and its success will depend, in large part, on those who are really committed, enthusiastic and use their platform to carry out their school activities. So, enjoy the contents of this manual and have a good class!

### The Sumé

Sumé is an open and collaborative initiative whose main objective is to contribute to the development and modernization of education through the use of technology.


# How to contribute

This manual was developed in a collaborative way, and it is open for new contributions. However,  to make it possible to maintain the quality of the publications that are available here, we created this brief guide based on the well-established guidelines provided by [Wikipedia](https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Contributing_to_Wikipedia).

## **Protocols and conventions‌**

### **Code of conduct‌**

Sumé is a community dedicated to provide an inclusive and safe experience for everyone. For this reason, we adopted a [code of conduc](https://sumelms.com/docs/conduct)t that values the strength of our diversity. Below, some golden rules that can be very useful:‌

* Be friendly and patient;
* Be receptive and use inclusive language;
* Be attentive
* Be respectful;
* Be careful with the words you use;
* Be constructive;**‌**

### **Discussion and consensus‌**

As this is a collaborative work, there will be times when parts will disagree on a particular subject or its structure.‌

In this case, contributors must always act respectfully to each other and work together, avoiding any behavior seen as unacceptable, offensive,  biased or dishonest. And, with that, in common agreement, to find the best solution to the point they disagree. ‌

If an agreement is not possible between the parties, the moderation will work to solve the issue.**‌**

### **Moderation‌**

The moderators are responsible for approving, removing, editing or changing any material contained in this manual without prior notice to the contributor,  such as interventions in discussions to mediate a solution to possible conflicts and disagreements.‌

However, the role of the moderator is not absolute, and their actions can be reviewed and taken to a council, which is formed by other moderators, and who will be able to review these actions.

## **External resources‌**

The use of external resources, such as images, videos and audio is not prohibited, however it is not recommended. It is recommended to use external resources only for the following situations: ‌

* Videos (YouTube)
* Audio (SoundCloud)
* Documents (Google Drive, OneDrive)‌

For images,  it is preferable that they are always hosted within the space provided in this manual.**‌**

### **References‌**

To refer to author or their work, the following notation is used:

"The reading of the world precedes the reading of the word, hence the subsequent reading of the word cannot be done without the continuity of reading the word."  (FREIRE, P. The importance of the act of reading. 23 ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. p. 11.)**‌**

## **Compatible licenses**

**‌**

All content published in this manual must be compatible with the [license of the same](https://app.gitbook.com/@sumelms/s/educators-manual/licenca), which are:‌

* Public domain or CC0
* CC BY
* CC BY-SA‌

An exception is the need for licenses compatible with external resources, as it is understood that these are not part of the manual.**‌**

## **Contributing**

### GitHub

### GitBook

### E-mail<br>


# Introdução

A iniciativa de elaborar este manual é garantir aos educadores e alunos uma compreensão, ampla e detalhada, sobre o que é a Sumé e o Sumé LMS e como eles podem auxiliar no desenvolvimento e na implementação das aulas virtuais. As duas iniciativas surgiram durante a pandemia da Covid-19, motivadas pela visível dificuldade encontrada por educadores em adaptar as aulas presenciais para as aulas virtuais.&#x20;

Ao longo do manual, você não vai encontrar soluções para os problemas da educação, pois não temos essa pretensão. O conteúdo que disponibilizamos visa ajudar e auxiliar os educadores a remodelar e a adaptar o que é ensinado em sala de aula física para a sala de aula virtual, tentando, em todos os aspectos, não perder a qualidade necessária à construção do conhecimento.&#x20;

Justamente por isso, você vai observar que o nosso foco neste material é indicar soluções que ajudem a resolver problemas e superar obstáculos do dia a dia. Não discutiremos os tipos de abordagens pedagógicas, se há uma linha de pensamento mais correta ou não. Nosso objetivo é facilitar a aprendizagem, independentemente dessas questões. Queremos que os educadores possam chegar aos seus alunos e que estes tenham condições de acompanhar as aulas e aprender.&#x20;

Tentamos reunir no manual o maior número de orientações técnicas e práticas visando atingir os mais variados tipos de educadores, independentemente do grau de afinidade com as novas tecnologias. Nosso propósito é que o maior número possível de educadores possa aproveitar as informações disponibilizadas aqui, não importa se ele tem um celular apenas, ou se conta com câmera e iluminação quase profissionais.   &#x20;

Também é importante que fique claro que este manual não é um material definitivo e fechado. A nossa intenção é que ele seja uma obra em construção, que seja desenvolvido de maneira colaborativa tanto pelos educadores que tiverem como contribuir com assunto quanto pelas demais pessoas que se interessam pela qualidade da educação. Toda nova informação e sugestão são bem-vindas!

A Sumé é um projeto inovador e o sucesso dela vai depender, em grande parte, de quem realmente se comprometer, tiver entusiasmo e usar sua plataforma para realizar as suas atividades escolares. Então, aproveite muito o conteúdo deste manual e boa aula!

### A Sumé

A Sumé é uma iniciativa aberta e colaborativa que tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento e modernização da educação por meio do uso de tecnologia.


# Como contribuir

Este manual foi desenvolvido de forma colaborativa, e está aberto a novas contribuições. Entretanto, para que seja possível manter a qualidade das publicações que aqui se encontram, criamos este breve guia inspirado nas diretrizes já bem fundamentadas e estabelecidas pela [Wikipedia](https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Contributing_to_Wikipedia).

## Protocolos e convenções

### Código de conduta

A Sumé é uma comunidade dedicada em prover uma experiência inclusiva e segura para todos. Por este motivo, adotamos um [código de conduta](https://sumelms.com/docs/conduct) que valoriza a força da nossa diversidade. Algumas regras de ouro que podem ser úteis:

* Seja amigável e paciente;
* Seja receptivo e use linguagem inclusiva;
* Seja atencioso;
* Seja respeitoso;
* Tome cuidado com as palavras que você usa;
* Seja construtivo.

### Discussão e consenso

Por se tratar de um trabalho colaborativo, haverá momentos em que partes entrarão em desacordo sobre determinado assunto ou sua estruturação.

Neste caso, os contribuidores devem agir sempre de forma respeitosa e trabalhar juntos, evitando qualquer comportamento visto como inaceitável, ofensivo, tendencioso ou desonesto. Visando assim, em comum acordo, encontrar a melhor solução.

Ainda assim, caso não seja possível um acordo entre as partes, entrará em ação a figura de moderação.

### Moderação

Aos moderadores cabe a aprovação, remoção, edição ou alteração de qualquer material contido neste manual sem aviso prévio ao contribuidor, tal como intervenções em discussões para mediação de uma solução para possíveis conflitos e desavenças.

Entretanto a figura do moderador não é absoluta, suas atitudes podem ser revistas e levadas a um conselho, composto por outros moderadores, que poderá rever esta atitude.

## Recursos externos

O uso de recursos externos, como imagens, vídeos e áudio não é proibido, entretanto desaconselhado. Recomenda-se o uso de recursos externos apenas para as seguintes situações:

* Vídeos (YouTube)
* Áudio (SoundCloud)
* Documentos (Google Drive, OneDrive)

Em caso de imagens, é preferível que estas sejam sempre hospedadas dentro do próprio espaço deste manual.

### Referências

Para referenciar autores ou obras, utiliza-se a seguinte notação:

> *"A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele."*  (FREIRE, P. *A importância do ato de ler*. 23 ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. p. 11.)

## Licenças compatíveis

Todo conteúdo publicado neste manual deve ser compatível com a [licença do mesmo](/licenca), sendo estas:

* Domínio público ou CC0
* CC BY
* CC BY-SA

`Torna-se exceção a necessidade de licença compatíveis com recursos externos, pois entende-se que estes não fazem parte do manual.`

## Contribuindo

Você também pode contribuir com este Manual. Atualmente, existem duas formas de fazer isto:

* Solicitando acesso ao nosso GitBook por meio [deste formulário](https://forms.gle/uDwv1j4Wi3x3F9NJ7);
* Enviando suas contribuíções em formato de PDF ou DOC, ou até mesmo compartilhadas por meio do Google Drive para [edu@sumelms.com](mailto:edu@sumelms.com?subject=edu.sumelms.com)


# Licença de uso

O conteúdo deste manual está licenciado por meio da [Creative Commons Atribuíção 4.0 Internacional (CC BY 4.0)](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR). A versão abaixo é um resumo para fins de praticidade e não substituí a [licença completa](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode).

### Você tem o direito de:

**Compartilhar** — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato.

**Adaptar** — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.

*`O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.`*

### De acordo com os termos seguintes:

**Atribuição** — Você deve dar o [crédito apropriado](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR#), prover um link para a licença e [indicar se mudanças foram feitas](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR#). Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.

**Sem restrições adicionais** — Você não pode aplicar termos jurídicos ou [medidas de caráter tecnológico](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR#) que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.

### Aviso

* &#x20;Você não tem de cumprir com os termos da licença relativamente a elementos do material que estejam no domínio público ou cuja utilização seja permitida por uma [exceção ou limitação](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR#) que seja aplicável.
* &#x20;Não são dadas quaisquer garantias. A licença pode não lhe dar todas as autorizações necessárias para o uso pretendido. Por exemplo, outros direitos, tais como [direitos de imagem, de privacidade ou direitos morais](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR#), podem limitar o uso do material.


# Ambiente educacional

Entenda os diferentes tipos de plataformas educacionais.

O educador que pretende adentrar no universo das aulas virtuais precisará, invariavelmente, lidar com novas ferramentas e tecnologias. O LMS e o VLE são tipos de plataformas muito utilizadas para otimizar processos em instituições educacionais e proporcionar ambientes virtuais propícios à aprendizagem. Mas para que serve exatamente cada um deles e quais suas vantagens?

O LMS (Learning Management System) é um sistema desenvolvido para a administração e documentação de cursos educacionais, assim como programas de treinamento ou programas de aprendizagem e desenvolvimento. Ele é geralmente utilizado por universidades e faculdades, escolas de ensino fundamental e médio e empresas na criação de cursos, matrículas de alunos e relatórios de dados.

As principais vantagens de um LMS estão na facilidade que o educador tem de monitorar o desempenho dos estudantes, na promoção de um ambiente educacional colaborativo, na gestão eficiente dos dados dos estudantes e na gamificação da aprendizagem, o que ajuda a manter o interesse pelo conteúdo e incentiva um envolvimento mais profundo com o processo de aprendizagem.&#x20;

O VLE (Virtual Learning Environment) ou AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) é uma plataforma de aprendizagem online para estudantes que permite aos educadores desenvolverem, carregarem e compartilharem conteúdo, bem como planejarem cursos e aulas. É comum que os VLEs ofereçam ainda rastreamento de dados em tempo real e comunicação entre educadores e estudantes.

As principais vantagens de um VLE estão na possibilidade que o educador tem de flexibilizar seu conteúdo e suas avaliações de acordo com o nível dos estudantes, além de simplificar o registro de nota e presença. Para os estudantes, esta plataforma facilita a organização dos horários de estudo e torna a experiência de aprendizagem mais interativa, através do uso de texto, voz e imagens.

Resumidamente, podemos dizer que a principal diferença entre um LMS e um VLE está na maneira como são utilizados. Enquanto os LMSs são mais adequados para rastrear o progresso de cada estudante no processo de aprendizagem, os VLEs acabam oferecendo aos estudantes uma interação e envolvimento mais profundos. A escolha por um dos dois vai depender das necessidades de cada instituição e das características de cada curso.


# Tipos de pacotes

Levando o conteúdo para as plataformas

Um ponto que talvez pareça espinhoso para um educador virtual iniciante seja a escolha de um padrão de e-Learning, ou seja, como ele vai embalar todo o conteúdo produzido para disponibilizar na plataforma escolhida. São muitas siglas e informações novas, nós sabemos. No entanto, nossa ideia aqui não é destrinchar cada um destes padrões, e sim destacar os principais e fornecer as informações básicas para que qualquer educador consiga reconhecê-los e entender qual deles se enquadra nas suas necessidades. Vamos conhecer os principais:&#x20;

* **SCORM (Sharable Content Object Reference Model)**: Foi criado no ano 2000 e ainda é o padrão da indústria de e-Learning. Ele fornece o método de comunicação e modelos de dados que permitem que o conteúdo e o LMS trabalhem juntos. Deste modo, todos os materiais produzidos para um curso são compactados em um pacote SCORM (um arquivo .zip que contém arquivos em uma hierarquia específica) e é feito o upload para o LMS.&#x20;
* **AICC (Aviation Industry Computer-Based Training Committee)**: Criado em 1998 para padronizar os materiais e a tecnologia usados no treinamento de trabalhadores de companhias aéreas, ele usa o protocolo de comunicação HTTP AICC (HACP) para realizar a comunicação entre um LMS e o conteúdo do curso. E faz isso de maneira bem direta, através de um formulário HTML e linhas de texto simples.
* **xAPI (Experience API)**: é um padrão que permite coletar dados sobre as experiências dos estudantes online ou offline - a API (Interface de Programação de Aplicativo) captura os dados sobre as atividades dos alunos. Com a xAPI, os estudantes podem aprender tanto com o conteúdo desenvolvido quanto por meio da interação com outros estudantes.
* **CMI5 (Computer-Managed Instruction)**: foi lançado em 2016. Este padrão apresenta um arquivo cmi5.xml com metadados que descrevem a estrutura do curso como uma série de blocos e unidades atribuíveis (AUs). Uma AU é o conteúdo inicializável do pacote e os ativos de conteúdo que podem ser incluídos dentro do pacote ou hospedados remotamente.

Com essas informações, cabe ao educador avaliar o seu tipo de curso para entender quais serão suas necessidades e qual o tipo de interação ele deseja com os estudantes. Ao definir que padrão de e-Learning se encaixa melhor, o próximo passo será pensar nas diferentes ferramentas para produção de conteúdo que existem, a fim de definir a que mais lhe trará resultados satisfatórios.


# Sumé LMS

O Sumé LMS é uma plataforma de ensino à distância, moderna, de código aberto, gratuita e distribuída. Construída para adaptar-se às mais diversas necessidades e modalidades de ensino, com foco em ser escalável e rápida.

Utilizando de ferramentas de análise de aprendizado, a plataforma proporciona uma melhor experiência para educador e aluno, de forma dinâmica e inclusiva, oferecendo ao educador estatísticas para melhorar seu conteúdo, tal como guiando o aluno para formatos de conteúdo que proporcionam um aprendizado mais eficaz.


# Formatos de conteúdo

Agora que já conhecemos os tipos de plataformas em que as aulas ou cursos online podem ser realizados, cabe ao educador pensar nos melhores formatos de conteúdo para tornar suas aulas virtuais mais atraentes e alcançar os objetivos de aprendizagem. Seja com uma apresentação de slides, seja com a utilização de vídeos, podcasts ou textos, é importante entender as especificidades do ambiente virtual para cada um destes formatos.

As apresentações de slides são velhas conhecidas de qualquer educador. Apesar de serem um formato simples de construir e utilizar, é comum que alguns exageros as tornem confusas. Assim, é fundamental prezar pela simplicidade na sua elaboração, use modelos pouco coloridos, sem muitos desenhos que possam atrapalhar na visualização, assim, evita o risco de interferir na mensagem do slide.

A escolha das fontes também é algo muito importante. Opte por aquelas mais neutras, como Times New Roman ou Arial. O tamanho precisa estar adequado. Não caia na tentação de diminuí-las para caber muito texto. O ideal é que elas tenham entre 20 e 30 para texto e 50 e 60 para títulos. Lembre-se que a informação no slide é um resumo, uma espécie de lembrete para o que vai ser falado e não o conteúdo todo.

Caso for colocar figuras nos slides, prefira colocar uma só, a fim de que tenha um bom tamanho e que as informações de texto fiquem proporcionais e menos confusas. Isso é ainda mais importante nas aulas online, que dependem da internet. Um slide com muitas figuras pode ficar mais pesado para carregar e travar a transmissão das aulas ao vivo, o que é sempre um atraso e atrapalha o processo de ensino e aprendizagem.

Os vídeos são um outro formato já bastante conhecido dos educadores. Eles são muito úteis na introdução de novos temas, pois compõem cenários e ilustram temas como nenhum outro meio. Eles funcionam ainda como uma excelente forma de despertar o interesse dos estudantes, já que o audiovisual tem se tornado o meio mais comum de disseminação de conhecimento, principalmente entre os jovens.&#x20;

A escolha de qual vídeo utilizar é sempre muito delicada, pois precisa ser algo que vá interessar aos estudantes e que ao mesmo tempo tenha uma relação clara com o conteúdo a ser trabalhado. Uma dica para facilitar esta escolha é o portal [Curta na Escola](https://www.curtanaescola.org.br/), em que o educador pode pesquisar conteúdo audiovisual de acordo com a disciplina desejada, a faixa etária dos estudantes e os temas de cada aula.&#x20;

Após a escolha do vídeo, o educador precisa pensar na melhor estratégia para utilizar este material. No caso das aulas virtuais ao vivo, uma dica importante é tentar realizar o download do vídeo previamente. Isso torna o compartilhamento do material mais fácil, sem depender do seu carregamento em tempo real durante a aula. Se o download não for possível, compartilhe o link do vídeo com os estudantes e dê um tempo durante a aula para que assistam.&#x20;

Além disso, os educadores também podem criar seus próprios vídeos. Com uma câmera caseira, um microfone de mesa, um pouco de iluminação e um software básico de edição de vídeos, já se pode criar conteúdo com temas específicos e compartilhar com os estudantes. Além disso, é possível publicá-lo em blogs, sites, redes sociais, canais no Youtube e até mesmo vendê-los.

Um formato mais recente e que vem se tornando muito utilizado em aulas virtuais é o podcast. Eles se assemelham a programas de rádio e podem ser gravados ou ao vivo. Se a ideia do educador é utilizar um podcast como material de apoio, o processo é bem parecido com o da escolha do vídeo. Nas plataformas de streaming de áudio é possível pesquisar podcasts por temática e inclusive realizar seu download para utilização em sala de aula.

Mas o educador pode ainda criar seu próprio curso no formato de um podcast sem a necessidade de muitos equipamentos. Com um microfone de mesa e um software básico de gravação e edição de áudio, como o [Audacity](https://www.audacityteam.org/download/), é possível criar conteúdo de forma simples e eficaz. Outra dica é a plataforma [Anchor](https://anchor.fm/?utm_source=br-pt_nonbrand_contextual_text\&utm_medium=paidsearch\&utm_campaign=alwayson_latam_br_premiumbusiness_anchor_nonbrand+contextual-desktop+text+bmm+br-pt+google\&adjust_referrer=adjust_external_click_id%3DCj0KCQiAyoeCBhCTARIsAOfpKxjJudqf-hnuzZW6pojzdVpADmlEfmtt2KxDF0MENeu2Bchk0_NGwkoaAlLSEALw_wcB\&gclsrc=aw.ds), em  que se pode gravar, editar e exportar podcasts de maneira fácil e rápida.

De todos estes formatos, certamente o texto é o mais comum e mais conhecido dos educadores. E as regras de utilização nas salas de aula reais são bem parecidas para as aulas virtuais. É imprescindível garantir que os estudantes tenham acesso ao material com antecedência, para que possam ler. Porém, as aulas virtuais deixam o estudante um pouco mais relapso, então evite ler muitos trechos durante a aula, preferindo o diálogo ao invés do monólogo.

Os recursos disponíveis aos educadores são diversos, ainda mais no ambiente virtual. Conhecer os formatos de conteúdo e saber como funcionam é o ponto de partida para utilizá-las da melhor maneira. É interessante analisar uma a uma para entender qual delas melhor se encaixa no seu jeito de dar aula, nas suas habilidades e no equipamento que você tem disponível, seja para aulas gravadas ou ao vivo.


# Ferramentas

A partir do momento em que já se conhece os formatos de conteúdo que melhor se encaixam nas aulas virtuais, resta saber mais sobre as ferramentas disponíveis no mercado para a produção e o compartilhamento do conteúdo. As opções são diversas. A princípio, vamos trabalhar com 3, que são muito utilizadas e conhecidas: Google Drive, Canva e Adobe Spark. No entanto, como este Manual do Educador também tem o objetivo de ser colaborativo, outras ferramentas vão entrar nesta lista com o passar do tempo.

### Google Drive

Com o [Google Drive](https://www.google.com.br/drive/) é possível armazenar, compartilhar e colaborar em arquivos e pastas utilizando qualquer dispositivo móvel ou computador. Para utilizá-lo é preciso apenas criar uma conta Google gratuitamente. Entre suas principais características estão:&#x20;

* Possibilidade de criar e compartilhar documentos de texto, planilhas e apresentações de slides;
* Armazenamento gratuito de 15 GB. Caso queira mais armazenamento, é possível fazer o upgrade para o [Google One](https://one.google.com/storage);
* Está disponível para os sistemas operacionais Windows e Apple, assim como para os dispositivos móveis que usam iOS e Android.

### Canva

O [Canva](https://www.canva.com/pt_br/) é uma plataforma que permite a criação de design profissional de forma simples e gratuita, a partir de templates editáveis, para dispositivos móveis e computador. Basta cadastrar-se para ter acesso a mais de 250.000 templates. Outras características do Canva são:

* Permite a criação de apresentações de slides, vídeos, posts para redes sociais, logotipos, cartazes, miniaturas para o Youtube e documentos A4;
* Tem versão gratuita com milhares de fotos e elementos gráficos para utilização e 5 GB de armazenamento na nuvem, mas também tem versão Pro e Enterprise, com mais recursos disponíveis;
* Tem versão Education, gratuita para professores do ensino médio, fundamental e seus alunos e, a versão Nonprofits, gratuita para ONGs;
* Está disponível para os sistemas operacionais Windows e Apple, assim como para os dispositivos móveis que usam iOS e Android.

### Adobe Spark

O [Adobe Spark](https://spark.adobe.com/pt-BR/edu/) é uma ferramenta que possibilita a criação e o compartilhamento de conteúdo digital. Ele está presente na web e em dispositivos móveis. Suas principais características são:

* Possibilita a criação de páginas da web, imagens para redes sociais e vídeos curtos;
* Possui versão gratuita com milhares de imagens e ícones para criação de design e versões pagas para pessoas físicas e equipes de trabalho;
* Com seus aplicativos Spark Post, Spark Page e Spark Vídeos, permite a criação e edição de vídeos e imagens em qualquer lugar;
* Está disponível para os sistemas operacionais Windows e Apple, assim como para os dispositivos móveis que usam iOS e Android.


# Planejar é roteirizar

Todo educador sabe que um dos fundamentos de sua profissão é o planejamento. A arte de ensinar e de compartilhar conhecimento precisa, necessariamente, ser feita de acordo com uma lógica pré-determinada, segundo o modelo pedagógico que mais se adeque à disciplina ou ao tipo de curso em que se está inserido.

Planejar é o primeiro passo para garantir que o conteúdo da aula seja trabalhado de maneira organizada, dividindo-o em etapas de acordo com o tempo da aula e traçando objetivos em cada uma delas. É no cumprimento desta sequência que o conhecimento é construído e que o objetivo final de cada aula pode ser alcançado.

De certa forma, dar aula é contar uma história, ou seja, elaborar uma narrativa que visa chegar a algum lugar. Não importa que seja uma aula de matemática, de geografia, de culinária ou de artes, em todas elas o educador precisa ter um objetivo final e pensar em maneiras de chegar a ele.&#x20;

Certamente, todo mundo em algum momento da vida de estudante teve a sensação de sair de uma aula sem aprender nada, como se tivesse sido uma grande perda de tempo. É muito provável que estas aulas tenham sido mal planejadas. É possível ainda que a história que nos contaram não tenha sido bem elaborada ou mesmo que não houvesse história alguma.

É claro que prender a atenção dos estudantes não é algo simples. Já não era na época do quadro negro e do giz, ficou mais difícil quando os educadores passaram a competir a atenção com notebooks e smartphones e agora, na era das aulas virtuais, o desafio é lidar com uma ferramenta a qual muitos não estão acostumados, que é a linguagem audiovisual.

Sim, as aulas virtuais são um produto audiovisual como outro qualquer. Deste modo, o educador precisa dominar esta linguagem se quiser que suas aulas atinjam os objetivos e que os estudantes aprendam mais e melhor. Mas não se assustem, nossa ideia aqui é mostrar que se trata de uma adaptação a um novo meio utilizando o saber que os educadores já possuem.

Já dissemos aqui que os bons educadores sempre foram contadores de histórias e que estas demandam um planejamento. Sendo assim, a primeira coisa a se fazer é transformar essas histórias em um roteiro, pois esta é a ferramenta utilizada no audiovisual para colocar histórias no tempo e buscar um objetivo.

### A importância do roteiro

Atualmente, a linguagem audiovisual é aquela que temos mais contato. Estamos rodeados de telas, assistimos a vídeos curtos, séries e filmes cotidianamente. E é por isso que a ideia de um roteiro não nos é estranha. Não é preciso ser especialista em cinema para dizer que um filme é chato quando sentimos que ele não vai a lugar algum.&#x20;

Os rumos de um filme, assim como de qualquer produto audiovisual, são definidos no seu roteiro. Do mesmo modo, uma boa aula virtual precisa necessariamente ser bem roteirizada. E o que existe de mais fundamental para que um roteiro seja interessante é o conflito, ou seja, um problema que precisa ser resolvido. É na resolução que está a lição, seja do filme, seja da aula.

Em Procurando Nemo (2003), o pequeno peixinho desobedece ao pai e acaba indo parar em um aquário na Austrália. Neste caso, o desaparecimento de Nemo é o problema e o seu resgate é a solução. O modo como vai se dar este resgate é o conflito, porque é o que faz a história acontecer. E é na resolução do conflito que está também a lição do filme.

Em uma aula virtual é a mesma coisa. O educador precisa transformar o seu conteúdo em um roteiro interessante, ou seja, em uma história com começo, meio e fim, em que exista um problema, uma solução e uma lição ao final da aula. É na busca pela solução do problema que está o conflito e é nele que os estudantes encontrarão sua lição.

Um roteiro bem escrito vai tornar possível que todo o conteúdo planejado para uma aula seja distribuído de forma adequada dentro do tempo disponível. Além disso, ele vai deixar claro cada momento e tornar o educador mais seguro de seus objetivos, correndo menos risco de se perder e proporcionando claridade na avaliação dos resultados da aula.

É legal entendermos que o roteiro funciona como um guia e não como uma prisão. Mas, esta escolha é outra coisa que vai depender do tipo de aula. Quando elas são gravadas previamente, o roteiro da aula é mais parecido com o de um filme, podendo ser seguido fielmente, já que não conta com a interação dos estudantes.

No caso de aulas ao vivo, o cenário muda um pouco. Talvez, numa aula de ciências exatas, o roteiro possa ser seguido com um pouco mais de rigidez, desde que preveja momentos para a participação dos estudantes. Já em aulas de ciências humanas, ele deve necessariamente conter espaços para debate, perguntas, improvisações e mudanças de rumo.

Para um educador da área do jornalismo, por exemplo, é essencial criar roteiros flexíveis, que levem em conta o debate com os estudantes e até mesmo acontecimentos relevantes que se tornam tema de aula em cima da hora. A regra de ouro é se manter atualizado em relação às questões relevantes do seu tempo, independentemente da área de conhecimento.&#x20;

### A elaboração do roteiro

Para a elaboração do roteiro de uma aula virtual, antes de mais nada, o educador precisa estar ciente de quem é o seu público-alvo. A complexidade de sua história e os objetivos podem variar de acordo com a faixa etária e com os diferentes tipos de cursos e instituições. É de suma importância garantir que o plano de ensino e as ementas sejam contemplados no roteiro.

Tendo estas informações organizadas, é chegada a hora de elaborar o roteiro. É neste momento que começaremos a trabalhar com a ideia de conflito que guiará nossa aula. Mas o conflito é somente o coração da história. O roteiro completo deve ser dividido em quatro partes: problematização, conteúdo, prática e desfecho.

Na problematização o educador deve apresentar o assunto da aula e suas etapas. Esta parte consiste num resumo para que fique claro aos estudantes o que aprenderão. Numa aula de biologia sobre a estrutura de uma célula animal, este seria o momento de o educador criar alguma história que terá como protagonista aquela célula.

A ideia aqui é não dizer simplesmente: “Hoje falaremos sobre a célula animal...”. O educador deve pensar em alguma situação em que a célula irá aparecer. E, felizmente, a própria história de cada ciência pode ser a fonte de inspiração. Para falar de células, portanto, o educador pode contar a história de como foram descobertas ou do surgimento dos microscópios.&#x20;

Ainda na problematização, o educador pode indicar o aprendizado pretendido no final. Na mesma aula de biologia, seria interessante dar pistas de que o objetivo é explicar aos estudantes o funcionamento de uma célula animal. Isso pode ser feito dentro da própria história, mencionando a importância de se entender as funções daquelas células.

Mesmo no caso de aulas ao vivo de filosofia ou artes, em que invariavelmente ocorrerão debates e divergências, inclusive entre educadores e estudantes, a etapa de apresentação do tema e da indicação do objetivo funciona muito bem. A diferença é que nestes casos o aprendizado da aula pode ser a própria importância do debate e da troca de ideias.&#x20;

A segunda parte do roteiro é destinada ao conteúdo da aula. Aqui, o educador vai fornecer as ferramentas para que os estudantes resolvam o problema que lhes será apresentado na sequência. Numa aula prática de poesia, este seria o momento para o educador ensinar, por exemplo, o que são versos, estrofes, quais são os tipos de rimas e métricas.

Ao passo em que o conteúdo foi exposto, chegamos na parte do roteiro de aula destinado à prática. Pensando na mesma aula de poesia, agora seria a hora para o educador desafiar os estudantes a escrever, quem sabe, um soneto, ou se não estiverem inspirados, analisar um poema famoso e indicar os tipos de rima e métrica, a fim de testar se o conteúdo foi bem assimilado. &#x20;

É claro que esta parte da aula pode ser um pouco diferente, dependendo do tipo de curso. Numa aula gravada, não é preciso separar um tempo para esta atividade, que deverá apenas ser exposta, cabendo ao estudante realizá-la ou não. Mesmo em aulas ao vivo, pode ser que uma atividade prática não seja possível, no caso de aulas muito teóricas. Mas, é imprescindível que o conteúdo consiga despertar questionamentos nos estudantes, de modo que se interessem pelos debates e por pesquisar mais o assunto.

A parte final do roteiro é o desfecho. Nele, o educador pode utilizar diversas abordagens. Nas aulas ao vivo é possível reservar este tempo para tirar dúvidas que porventura não tenham sido resolvidas, retomar algum ponto e mesmo introduzir levemente o assunto do próximo encontro. Em aulas gravadas, este é o momento de recomendar leituras, filmes ou vídeos que possam auxiliar na fixação do conteúdo, além de estimular o feedback dos estudantes pelos canais disponíveis ao curso.&#x20;

### O roteiro

O roteiro é uma ferramenta que nos permite representar imagens e sons através de palavras. É justamente isso que faremos a seguir, em nossos exemplos de como um roteiro de aula virtual deve ser elaborado, tanto para uma aula gravada quanto para uma aula ao vivo. É claro que eles serão genéricos. São como fôrmas a serem preenchidas.

No meio audiovisual, os modelos de roteiro que apresentamos são conhecidos como roteiros de tabela, muito utilizados em produções de curta duração, como videoclipes e tutoriais no Youtube. Eles funcionam muito bem para estes casos, justamente pela simplicidade na construção e facilidade de utilização. Assim, são perfeitos também para videoaulas.&#x20;

O roteiro de tabela é composto por duas partes, uma de cada lado. Numa delas colocamos aquilo que vai aparecer na tela, ou vídeo, enquanto na outra colocamos o que iremos ouvir, ou o áudio. O início de sua construção poderia ser assim:

| VÍDEO                        | ÁUDIO                                |
| ---------------------------- | ------------------------------------ |
| Câmera no rosto do educador. | Boa noite pessoal, como vocês estão? |

&#x20;A ideia é colocar na parte do vídeo tudo o que será mostrado. Sendo assim, além do próprio educador, ali poderá estar a imagem de um livro, de uma foto, de uma página da internet, do trecho de um filme etc. O vídeo e o áudio nestes casos poderiam ficar assim:&#x20;

| VÍDEO                                                | ÁUDIO                                                                                                                  |
| ---------------------------------------------------- | ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- |
| <p>Imagem da capa do livro Manual de Física.<br></p> | Pessoal, hoje estudaremos o capítulo 12 deste livro.                                                                   |
| Imagem da foto do Einstein.                          | Einstein nasceu em 14 de março de 1879...                                                                              |
| Imagem do site mast.br                               | Gente, queria indicar pra vocês a visita virtual ao Museu de Astronomia e Ciências Afins.                              |
| Trecho do filme A Teoria de Tudo (2014)              | Neste caso não precisa colocar nada no áudio, a menos que você pretenda fazer comentários durante a exibição do filme. |

&#x20;Agora que entendemos como funcionam as partes do vídeo e do áudio no roteiro, vamos construí-lo com a problematização, o conteúdo, a prática e o desfecho numa aula ao vivo.&#x20;

| VÍDEO                              | ÁUDIO                                                                      |
| ---------------------------------- | -------------------------------------------------------------------------- |
| Câmera no rosto do educador.       | Saudação inicial do educador.                                              |
| Câmeras nos rostos dos estudantes. | Saudações iniciais dos estudantes.                                         |
| Câmera no rosto do educador.       | Fala do educador ao apresentar o assunto e indicar o aprendizado esperado. |
| Câmera no rosto do educador.       | Fala do educador ao explicar o conteúdo.                                   |
| Câmera no rosto do estudante.      | Fala do estudante com dúvida..                                             |
| Câmera no rosto do educador.       | Fala do educador ao propor a atividade prática.                            |
| Câmera no rosto do estudante.      | Fala do estudante com dúvida.                                              |
| Câmeras nos rostos dos estudantes. | Falas dos estudantes debatendo.                                            |
| Câmera no rosto do educador.       | Fala do educador durante o desfecho.                                       |
| Câmera no rosto do educador.       | Saudação final do educador.                                                |
| Câmeras nos rostos dos estudantes. | Saudações finais dos estudantes.                                           |

Para o caso de uma aula gravada, nosso modelo ficaria bastante semelhante, mas sem a necessidade de reservar momentos para a interação com os estudantes.

| VÍDEO                        | ÁUDIO                                                                      |
| ---------------------------- | -------------------------------------------------------------------------- |
| Câmera no rosto do educador. | Saudação inicial do educador.                                              |
| Câmera no rosto do educador. | Fala do educador ao apresentar o assunto e indicar o aprendizado esperado. |
| Câmera no rosto do educador. | Fala do educador ao explicar o conteúdo.                                   |
| Câmera no rosto do educador. | Fala do educador ao propor a atividade prática.                            |
| Câmera no rosto do educador. | Fala do educador durante o desfecho.                                       |
| Câmera no rosto do educador. | Saudação final do educador.                                                |

No fim das contas, a principal função do roteiro é ajudar na elaboração de uma boa história para aula, ou seja, criar um bom conflito. Podemos dizer que ele serve mais para planejar a aula do que para colocá-la em prática. Obviamente a intenção é seguir o roteiro e buscar o seu objetivo final, mas dar aula é algo vivo e que depende muito do momento.

Planejar aulas e calcular o conteúdo de acordo com o tempo é algo que todo bom educador sabe fazer. Produzir um roteiro é apenas uma adaptação de linguagem e uma forma de tornar as aulas mais interessantes para o meio audiovisual. Tendo uma boa história e um conflito, resta apenas fazer o que sempre foi feito nas salas de aula reais.

Tenha em mão seu material de apoio e faça anotações que lhe ajudem a seguir o roteiro durante a aula. Deste modo, será possível concentrar-se no que foi planejado e prestar atenção na dinâmica de troca com os estudantes, se for o caso. No final de cada aula, avalie o que deu certo e o que não funcionou no roteiro e na sua execução para manter-se em constante desenvolvimento.


# Áudio

O que é necessário para gravá-lo?

O áudio, independente de qual seja o produto audiovisual de que se esteja falando, costuma ser, de longe, o aspecto menos valorizado nas produções. As pessoas se preocupam com o texto, com a imagem, até com a trilha sonora, mas, em muitos casos, não têm o mesmo cuidado com a captação do áudio e com aquilo que seu público irá compreender.

Pode parecer exagero, mas não é. Todo elemento presente em um material audiovisual precisa ser pensado cuidadosamente para que a mensagem seja passada da melhor forma possível e não aconteça o famoso “ruído de comunicação”, que é quando o público não entende ou entende de maneira distorcida a informação que desejamos passar.

No que se refere especificamente ao áudio, são necessárias precauções que vão desde a escolha do tom de voz para cada contexto e cuidados para manter a voz saudável, passando pela escolha do equipamento mais adequado a cada situação e culminando no momento em que será feita a captura do áudio.


# Tons de voz

Quando pensamos numa videoaula, é preciso ter em mente que o seu público está querendo aprender algo e que por isso a mensagem precisa ser clara e eficiente. E aqui já surge uma diferença básica entre aulas gravadas e aulas ao vivo. Nas videoaulas gravadas é fundamental que se fale pausadamente, já que os estudantes não podem interromper para tirar dúvidas. Já nas videoaulas ao vivo, o ritmo pode ser parecido com o das aulas presenciais, até mesmo para que os estudantes não percam o foco.

Outra diferença entre estas duas modalidades está no tempo que o educador tem para improvisar, contar histórias ou fazer comentários que nada têm a ver com o tema da aula. No caso de uma videoaula gravada, é imprescindível que o educador seja breve e objetivo. Para as videoaulas ao vivo já é possível interagir com os estudantes e criar momentos de descontração que são importantes para a conexão entre educador e estudante.

O contexto de cada videoaula vai ser fundamental para determinar qual tom de voz será o mais adequado. Naquelas gravadas, talvez se aplique melhor um tom ameno e sério, que transmita confiança no conteúdo oferecido. Por outro lado, em videoaulas ao vivo, pode-se optar por um tom mais descontraído, que passe segurança para que os estudantes interajam.

Mas claro, não existem regras rígidas quanto a isso. Cada turma é uma turma e cada curso é um curso. O tom de voz utilizado pelo educador vai variar de acordo com a proximidade que ele tem dos estudantes – se ela existir – e do tipo de conteúdo que ele ensina. Talvez não seja uma regra, mas é bom evitar tons muito graves e que possam sugerir algum tipo de autoritarismo ou mau humor, pois isso certamente afastará os estudantes e prejudicará a aprendizagem.

No fim das contas, é o aprendizado que conta. E ele só será possível se a comunicação for bem-feita. Portanto, invista tempo em conhecer e entender quem são os seus alunos. Aprenda o modo como eles falam, que palavras usam, de que maneira interagem entre si. Faça testes, mude, se adapte. E ao encontrar o tom adequado, se esforce para mantê-lo, mesmo em situações de estresse que podem acontecer numa sala de aula virtual.


# Cuidados com a voz

Além de observar o contexto de cada aula para escolher qual tom se encaixa melhor, é preciso também cuidar da voz. Educadores utilizam a voz diariamente e nem todos a tratam como sua principal ferramenta de trabalho. Alguns cuidados básicos, mas que fazem toda a diferença são:

1. Beba bastante água: com 7 a 8 copos por dia já é possível manter a hidratação do corpo e, com isso, das pregas vocais. Durante as aulas, tenha sempre um copo ou uma garrafa com água por perto. Beba pequenos goles em intervalos de, no máximo, 10 minutos para que as pregas vocais se mantenham hidratadas;
2. Tenha uma alimentação saudável: evite ficar muitas horas sem comer, mastigue bem os alimentos e opte por uma dieta rica em grãos, legumes e verduras. Uma dica valiosa para os professores é a maçã, pois é uma fruta adstringente que limpa o trato vocal e sua mastigação exercita a musculatura responsável pela articulação das palavras;
3. Respire corretamente: enquanto estiver falando, mantenha uma postura ereta, porém, relaxada, sobretudo a cabeça. Lembre-se de levar o ar até o abdômen, expandindo as costelas sem elevar os ombros e o peito. Um bom exercício é ler em voz alta de forma devagar e pausadamente;
4. Cuidado com excessos: evite comportamentos que em excesso podem ser danosos à voz, como consumo de cigarro, álcool, bebidas muito geladas ou muito quentes e ar condicionado. Tente ainda se poupar dos berros em shows de música ou jogos de futebol.

Estas são apenas algumas dicas simples, mas que são um começo para manter a voz em bom estado para as aulas. Porém, o recomendado para quem ministra muitas aulas e cursos, como os educadores, é fazer um acompanhamento com um fonoaudiólogo, assim tem-se a garantia de manter toda a estrutura vocal saudável. O próximo passo é conhecer que equipamentos são necessários para gravar o áudio de uma videoaula.


# Equipamento

A primeira e mais valiosa dica no que diz respeito a equipamentos de áudio é: não confie no microfone que vem embutido na sua câmera. Seja ela uma câmera profissional, semiprofissional ou a do celular, a chance de o seu áudio ficar inaudível é muito grande. Existem outras opções que farão toda a diferença na qualidade da videoaula.

Talvez, a sugestão mais simples seja um microfone de mesa. Existem diversos modelos, com diferentes tamanhos e preços. Estes microfones são facilmente posicionados em qualquer superfície plana, o que evita que ele se movimente e gere ruídos. Muitos possuem entrada USB para se conectarem diretamente ao computador. Geralmente, eles não possuem a capacidade de gravar, por isso, são recomendados apenas para videoaulas ao vivo.&#x20;

Outra opção são os microfones de lapela. Também são facilmente encontrados em lojas de produtos eletrônicos com diferentes faixas de preço. Os mais comuns vêm com um fio para serem conectados ao computador, ao celular, a câmeras profissionais e semiprofissionais ou a um outro gravador. Sua maior vantagem é ser discreto. Ele pode ser posicionado na gola da camisa, o que dá mais liberdade para o educador se movimentar e utilizar as mãos. O lado ruim é que se for mal colocado, pode acabar raspando na roupa e gerar muito ruído.

Por fim, outra opção bastante prática são os microfones do tipo shotgun. O nome se deve ao fato deles parecerem uma arma apontada para o alvo. Eles existem em tamanhos e preços variados. São bem versáteis, podem ser conectados a câmeras profissionais, semiprofissionais e até mesmo celulares. Mas, deve-se tomar o cuidado de apontá-lo bem para a boca, para que ele não capte outros ruídos, já que é muito sensível.    Estes dois últimos funcionam tanto para videoaulas gravadas como ao vivo. Para as ao vivo, basta conectá-los às câmeras (lapela e shotgun), celulares (lapela e shotgun) ou computadores (lapela) e começar a transmissão. Mas, para as aulas gravadas, o educador precisará de algum software de gravação e edição de áudio, como o [Audacity](https://www.audacityteam.org/download/), que é gratuito, e de um programa de edição para conseguir unir os arquivos de áudio e de vídeo, como o também gratuito [Da Vinci Resolve](https://www.blackmagicdesign.com/products/davinciresolve/?gclid=Cj0KCQjw3duCBhCAARIsAJeFyPVGcImsbeQUdoyxH_7lOu7Yrs4cpWZg_OUX-V56g4-9c5OZJ_MPJC8aAqqiEALw_wcB). Para facilitar, opte por conectar o microfone diretamente na câmera, pois disso resultará um único arquivo com áudio e vídeo sincronizados.


# Captura de voz

Seja para uma videoaula gravada ou ao vivo, existem algumas regras que precisam ser observadas na hora de capturar o áudio. A mais valiosa delas é evitar lugares barulhentos. E não estamos falando apenas de construções, carros, motos ou música. Geralmente, os microfones costumam ser muito sensíveis, então, um barulho de ventilador ou mesmo de ar condicionado já pode prejudicar a qualidade do som

Após encontrar um lugar minimamente tranquilo em que sua aula não será interrompida, o passo seguinte é conferir o equipamento. Este processo consiste em ligar os microfones, checar se as baterias estão carregadas e fazer um teste antes de gravar valendo. Se tudo estiver funcionando corretamente, prepare-se para a gravação.

Posicione-se de uma maneira confortável e que lhe permita respirar adequadamente. Garanta que o microfone esteja próximo o bastante de sua boca. Teste a voz, seu tom e certifique-se de ter água por perto. Ligue novamente os equipamentos e lembre-se de não se afastar do microfone.

No caso de uma videoaula ao vivo, utilize qualquer um dos microfones recomendados. O final do processo consistirá em apenas desligar os equipamentos e guardá-los adequadamente. No entanto, se for uma videoaula gravada, prefira os microfones lapela ou shotgun e conecte-os, de preferência, diretamente na câmera. Assim, ao final da gravação, o educador precisará salvar o arquivo referente a aula. Este arquivo será composto de uma faixa de áudio e de uma faixa de vídeo sincronizadas, que deverão ser editadas em algum software.


# Vídeo

A melhor maneira para gravá-lo.

O vídeo é o primeiro item que todo mundo repara em um produto audiovisual. As pessoas, geralmente, até costumam aturar um som mal gravado, uma atuação desajeitada ou um texto mal escrito, mas ninguém aguenta um vídeo com baixa qualidade de imagem. É simplesmente impossível assistir algo se a imagem está tremida, com um enquadramento estranho ou com pouca iluminação.

É por isso que a preocupação com a qualidade do vídeo deve ser sempre a primeira do educador que pretende gravar suas videoaulas. É preciso escolher bem o local da gravação, os equipamentos necessários para captar a melhor imagem do cenário escolhido e o melhor sistema de iluminação para garantir que tudo apareça nitidamente na tela.


# Educação no vídeo

Porém, não basta cuidar da questões técnicas. É preciso ficar atento também às questões estéticas e ao comportamento adotado diante das câmeras. As videoaulas são um material que pode ser compartilhado nas redes sociais e visto por pessoas que o educador nem imagina. Sendo assim, o cuidado com as vestimentas, com o linguajar, com os gestos e com a interação entre educador e estudante deve ser constante.

Sempre faça as escolhas que sejam mais simples, especialmente em relação às roupas, acessórios, maquiagem e afins. Também é essencial se policiar quanto ao linguajar. O que falamos sobre tons de voz no capítulo sobre [Áudio](/producao-de-conteudo/audio) também se aplica aqui no vídeo e mais, pois agora o aluno está vendo o que você está fazendo. &#x20;

É um comportamento que, no fim das contas, não difere muito daquele da sala de aula real. Apenas observamos que o ambiente virtual possui uma abrangência muito maior e que muitas vezes foge do nosso controle. Deste modo, é sempre bom adotar uma postura ainda mais correta e ética nas aulas virtuais.


# Equipamento

É muito comum ouvirmos que hoje em dia qualquer pessoa pode gravar um vídeo, já que possui um pequeno estúdio em seus bolsos. Infelizmente, não é bem assim. É claro que é possível gravar qualquer coisa com um celular, mas para garantir um pouco mais de qualidade é necessário investir em alguns equipamentos.&#x20;

Falando especificamente de uma videoaula, as opções a seguir são as mais viáveis para se obter a mínima qualidade no que diz respeito à gravação do vídeo.

### Webcam para stream

Ela é indicada para aulas ao vivo. Porém, não fornece muita mobilidade, pois precisa estar sempre conectada ao computador e, de preferência, fixa em algum lugar para dar estabilidade à imagem. Além disso, não é o equipamento que disponibiliza a melhor qualidade de imagem. Porém, consegue cumprir sua função.

### Câmera do celular

É indicada tanto para as aulas ao vivo quanto para as aulas gravadas. Alguns celulares, como os lançamentos dos últimos 3 anos, possuem uma ótima qualidade de imagem. Mas, para utilizá-lo com conveniência, é preciso adquirir um pequeno tripé próprio para celulares, de modo que o educador não precise ficar segurando o aparelho. Outro aspecto que precisa de atenção em relação ao uso do celular é você, inevitavelmente, precisará adquirir um microfone compatível com ele, já que a captação de áudio não costuma ser muito boa.

### Câmera profissional ou semiprofissional

Também é indicada para aulas ao vivo e gravadas. Este equipamento, sem dúvida, é o que vai exigir maior investimento. No entanto, é também o que vai trazes mais benefícios. Com este tipo de câmera, a qualidade da imagem fica muito superior a das outras opções, além do fato de que ela possui a opção de trocar as lentes, o que a torna mais versátil. Dependendo do tipo de aula, o educador pode escolher o tipo de lente que melhor se adaptar ao seu espaço. Também é indicado adquirir um tripé e um microfone compatível com a câmera.


# Câmera e enquadramento

Agora que já conhecemos quais são os equipamentos mais utilizados para a captação das imagens da videoaula, precisamos falar sobre o enquadramento, que nada mais é do que aquilo que irá aparecer quando os alunos reproduzirem o vídeo. Escolher o enquadramento do vídeo é determinar aquilo que queremos captar com a câmera.

E para isso não existe uma regra. Pode-se optar por um enquadramento mais fechado, mostrando apenas do pescoço para cima e sem focar no cenário. É possível que o enquadramento seja um pouco mais aberto, mostrando da cintura pra cima e uma mesa de trabalho, ou, ainda, mostrar o corpo inteiro e o cenário. Tudo vai depender da intenção do educador e das características de cada aula.

Antes de definir qual será o enquadramento da aula, o educador precisará ter em mãos o roteiro de sua aula – você pode ver como montar um roteiro para videoaulas em outro capítulo desse manual. Com ele, é possível entender a dinâmica daquilo que irá acontecer diante da câmera, ou seja, se durante a aula você vai precisar se mover pelo cenário ou se vai ficar somente sentado explicando o conteúdo.

No caso de uma aula mais parada, a melhor opção é se colocar diante da câmera, sentado, de modo que apareça o seu corpo do abdômen para cima. Isso lhe deixará mais confortável para movimentar os braços e se mover na cadeira sem sair do enquadramento. Se for uma aula mais movimentada, em que seja necessário levantar e andar, escolha ficar mais longe da câmera e, se possível, já inicie a aula em pé. Isso lhe dará margem para caminhar pelo cenário sem sair do enquadramento.

Para qualquer tipo de aula, construir um cenário minimamente organizado e criativo é essencial. Mesmo que somente a sua mesa esteja dentro do quadro que vai aparecer no vídeo, certifique-se de que nela existam elementos que remetam ao conteúdo de suas aulas.&#x20;

Agora, se o enquadramento for mais amplo, é preciso pensar com mais carinho na decoração do cenário. O principal aqui é encontrar elementos que ajudem a criar identificação com os estudantes, mas que, ao mesmo tempo, não os distraiam do conteúdo. Pode parecer complexo, mas é possível mesclar um estilo simples e equilibrado, porém, criativo.


# Iluminação

O primeiro passo para garantir que sua videoaula fique bem iluminada é gravar em um ambiente que seja naturalmente bem iluminado. Utilizar a luz do dia através de uma janela já pode garantir qualidade para a videoaula. Para isso, o educador deve se posicionar de frente para a janela (contra a luz), para que a luminosidade bata em seu rosto. Já a câmera deve ser posicionada próximo a janela, com a lente virada no sentido contrário à luz.

Uma dica importante: nunca faça as videoaulas, ao vivo ou gravadas, se posicionando no centro do foco da luminosidade, por exemplo, colocando-se encostada na janela e virando a câmera para você. Nessa posição, a imagem ficará escura e prejudicará a nitidez do vídeo.&#x20;

Entretanto, nem todo mundo possui um espaço bem iluminado ou pode fazer seus vídeos durante o dia. Além disso, não é sempre que a iluminação natural é o suficiente. Uma boa dica é sempre realizar gravações de teste e visualizar o resultado na tela do computador ou mesmo numa televisão, pois a imagem que aparece no visor das câmeras muitas vezes é enganosa.&#x20;

No caso de uma videoaula com enquadramento mais fechado, o educador pode optar por um sistema de iluminação conhecido como “iluminação de dois pontos”. Este é um modo mais simples e funcional de se iluminar um cena. Basta posicionar duas fontes de luz, uma de cada lado da câmera, voltadas para quem está falando.&#x20;

O ideal é que sejam fontes de luz com brilho diferente, para que uma funcione como a luz principal, que efetivamente ilumina, e a outra funcione como uma luz de preenchimento, ou seja, aquela que elimina as sombras formadas no rosto da pessoa que está sendo iluminada. Este tipo de iluminação pode ser feita com abajures comuns, destes que se tem em casa, mas, prefira lâmpadas brancas para ter uma luz mais forte.&#x20;

Se o enquadramento da aula for aberto, pense seriamente em adquirir equipamentos de iluminação um pouco mais avançados, como o soft box ou painéis de LED, que permitem iluminar cenários maiores.&#x20;

Com eles, talvez seja necessário partir para um sistema de “iluminação de três pontos”. Nele, além das duas luzes ao lado da câmera, uma outra fica posicionada atrás da pessoa que está falando. Assim, teremos a luz principal vindo do lado da câmera, a luz de preenchimento do outro lado câmera e uma contra a luz, voltada para a luz principal.


# Interações

Conheça algumas formas diferentes de interações

As metodologias educacionais têm passado por uma profunda modificação nos últimos anos, sobretudo por conta da introdução de novas tecnologias no ambiente escolar. Mesmo nas escolas físicas, os educadores precisam sempre se reinventar e buscar novas maneiras de compartilhar o conhecimento com diferentes formas de interações, ou seja, com a introdução de atividades diferenciadas.

Quando se trata de aulas virtuais, essa necessidade de aperfeiçoamento e reinvenção se faz ainda mais necessária. Aos educadores que estão se aventurando neste novo meio educacional, é muito importante conhecer as novas técnicas de ensino que estão intimamente ligadas com a tecnologia.

Mas não se engane. Não se trata apenas de uma adaptação às novas tecnologias. Estas novas técnicas buscam, além de adaptar-se ao mundo contemporâneo, criar possibilidades para que os educadores se comuniquem de maneira mais aberta e produtiva com os estudantes, tirando-os da posição passiva em que sempre estiveram para torná-los ativos no processo de aprendizagem.


# Educação passiva X educação ativa

Os modelos tradicionais de educação, com suas aulas expositivas e a figura do educador no centro do processo de aprendizagem estão com os dias contados. Este formato era guiado por uma metodologia que hoje é chamada de passiva, pois o papel dos estudantes é somente ouvir e absorver o conhecimento. Nem mesmo o ensino presencial tem dado preferência para esta metodologia atualmente.

Agora, quando falamos de ensino virtual, a metodologia passiva perde ainda mais sentido, porque ela não consegue despertar o interesse dos estudantes. Numa sala de aula virtual, a interatividade é imprescindível. É por isso que o educador precisa conhecer novos métodos de compartilhar conhecimento e atingir os estudantes. Isso somente é possível por meio da metodologia ativa.

Com a metodologia ativa, o educador se torna um guia que orienta os estudantes no caminho do conhecimento, na resolução de problemas e na elaboração de ideias. Por outro lado, os estudantes são estimulados a participar ativamente do processo de aprendizagem, o que os torna mais independentes, proativos e responsáveis.

Dentro da metodologia ativa, encontramos diferentes tipos de abordagem que os educadores podem seguir. As principais são as seguintes:&#x20;

* **Aprendizado por problemas** – permite que os alunos exerçam o aprendizado a partir de desafios. Ao encarar determinadas situações e problemas, é necessário aos estudantes trabalhar com criatividade e reflexão;
* **Aprendizado por projeto** – é um mecanismo que propõe aos alunos identificarem uma situação que não necessariamente é um problema, mas pode ser melhorada. Essa abordagem estimula o trabalho em equipe e possibilita a descoberta de aptidões que podem ser um diferencial para o empreendedorismo e o mercado de trabalho;
* **Sala de aula invertida** – é uma das abordagens de aprendizagem que contam com o auxílio da tecnologia, transformando qualquer ambiente em um espaço dedicado ao estudo. Seja em casa, seja na rua ou nos meios de transporte, é possível aos alunos acessarem o conteúdo previamente, disponibilizado nas plataformas de ensino, para já chegarem às aulas virtuais preparados para as discussões. A ideia é que eles conheçam o conteúdo antes da aula em si.&#x20;

Entre os principais benefícios da metodologia ativa estão o maior engajamento e envolvimento dos estudantes, que passam a ser protagonistas do aprendizado individual e coletivo. Durante o processo eles se tornarão mais autônomos, confiantes, responsáveis e irão adquirir um senso de colaboração com os colegas por meio dos trabalhos em equipe.&#x20;

Veja agora alguns exemplos práticos de interações que podem ser desenvolvidas dentro da metodologia ativa.


# Gamificação

A gamificação tem sido uma das estratégias mais utilizadas na educação para atrair a atenção dos estudantes. Na prática pedagógica, isso significa adotar a lógica, as regras e o design de jogos para tornar o aprendizado mais atrativo, motivador e enriquecedor. Seu potencial é imenso, já que ajuda a desenvolver competências socioemocionais que fazem toda a diferença no aprendizado. &#x20;

Quando se utiliza o design dos jogos em atividades pedagógicas, a sala de aula passa a ser um ambiente atraente e desafiador na busca pelo conhecimento. Os estudantes passam a participar mais da aula e é possível notar uma melhora em sua criatividade e autonomia, assim como na capacidade de dialogar e buscar soluções para situações-problema.

Isso se dá pelo fato de que a linguagem dos jogos é familiar à maioria dos estudantes. Por isso, se torna muito mais fácil conquistá-los ao propor sua imersão em um conteúdo virtual. É quase como uma “trapaça”, só que do bem. Os estudantes aprendem sem mesmo se dar conta disso, pois aquele estigma de que estudar é chato vai sendo superado na prática.


# Formatos de atividades online

Mesmo que você não faça parte de uma instituição que já investe na gamificação da educação, ainda assim existem muitas atividades online que o educador pode propor aos estudantes em suas aulas virtuais. São elas:

* **Fóruns** – permitem trabalhar com uma pergunta instigadora para promover uma discussão através da qual os estudantes possam opinar e construir argumentações escritas sobre determinado assunto;
* **Questionários ou Quiz** – possibilitam trabalhar com questões abertas ou de múltipla escolha e podem servir para verificar a compreensão de conteúdo trabalhado em tempo real;&#x20;
* **Diários** – produção de texto individual em que o estudante expõe suas ideias e/ou pesquisas sobre determinado assunto. Esse texto pode ser revisitado ao longo de um período e o professor pode inserir caixas de comentários para que o estudante reveja determinado trecho ou ideia;
* **Laboratório de avaliação colaborativa** – atividade em três etapas:&#x20;
  * 1ª etapa: trocas de atividades entre os estudantes para contribuições.&#x20;
  * 2ª etapa: devolutiva do material com as contribuições.&#x20;
  * 3ª etapa: produção do material que será submetido ao professor com os indicativos das  modificações feitas pelas contribuições do colega.


# Storytelling

[Em outro momento deste manual](/producao-de-conteudo/planejar-e-roteirizar) já dissemos que dar aulas é contar histórias. Desenvolver uma boa história é a melhor maneira de criar conexão com os estudantes, tornar o conteúdo mais atrativo, ser ouvido e compartilhar experiências. Essa troca fica ainda melhor quando o educador consegue criar narrativas que estejam relacionadas à realidade do estudante.

Toda narrativa possui início, desenvolvimento, clímax, conclusão e lição moral. Estas etapas precisam ser bem elaboradas para manter a atenção de quem ouve e o interesse por sua continuidade, além de garantir que a mensagem final será compreendida e, com ela, o aprendizado de uma determinada aula.

É bastante comum que a narrativa apresente um personagem principal que precisa resolver um problema. Ele é o elemento central da história. Os estudantes irão dividir com ele as angústias, dúvidas e desejos. É justamente esse compartilhamento de sensações que gera a identificação com o personagem principal e em consequência disso, o interesse pela história.

O que acontece é uma transposição das informações técnicas do assunto para a jornada do personagem central. Os problemas que ele precisará resolver são os problemas relativos ao conteúdo. O ideal é pensar em narrativas curtas que possam ser utilizadas numa mesma aula. Isso para não cansar os estudantes e para que o ciclo da narrativa e do aprendizado se feche, sem o risco de que a narrativa seja esquecida no intervalo de tempo entre uma aula e outra.

O storytelling apresenta muitos benefícios, dentre os quais destacamos o engajamento dos estudantes, o dinamismo da aula e a possibilidade de criar conteúdo interdisciplinar. Aliás, este é um ponto muito interessante. Por vezes, os educadores têm muita dificuldade de dialogar entre si. Através do storytelling, fica mais fácil inserir conteúdos diferentes dentro do mesmo contexto.&#x20;

Bom, aqui listamos algumas atividades que podem ser desenvolvidas para tornar as aulas mais atraentes e envolventes, trazendo os estudantes realmente para uma atitude ativa. Porém, as possibilidades de práticas e exercícios não se resumem a elas. Há uma infinidade de trabalhos e atividades que podem ser desenvolvidas ao longo do processo de aprendizagem para que os conteúdos possam ser repassados de forma interativa, fazendo com o que conhecimento seja absorvido da melhor maneira por todos.


